sábado, 20 de agosto de 2011

Estresse e Sobrecarga Profissional no Setor de Tecnologia da Informação

Para a geração saúde que se preocupa com qualidade de vida, segue um artigo cientifico que escrevi durante a especialização. O mesmo está voltado para os profissionais da área de T.I que constantemente, assim como eu, acabam sofrendo com estresse e sobrecarga profissional em virtude do ambiente e condições de trabalho.

Boa Leitura!




Estresse e Sobrecarga Profissional no Setor de Tecnologia da Informação
Stress and Overload Training in the Information Technology Sector


Almeida, Danielle Moscatelli, Tecnóloga em Produção Multimídia com Ênfase em Web Design, Faculdades OPET
daniellemoscatelli@gmail.com


CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ERGONOMIA: PRODUTOS E PROCESSOS
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E GRADUAÇÃO
DEPARTAMENTO DE ENSINO DE PÓS-GRADUAÇÃO
Campus Curitiba
Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR
Avenida Sete de Setembro, 3165 - Curitiba/PR, Brasil - CEP 80230-901


RESUMO
O presente artigo tem como objetivo, cruzar as demandas de mercado com a real condição dos trabalhadores da área de T.I (Tecnologia da Informação), identificando a origem da sobrecarga profissional, as razões que conduzem os trabalhadores a um quadro progressivo de estresse e as consequências deste tipo de sofrimento no trabalho. O reconhecimento dos agentes estressores permitirá a elaboração das estratégias de enfrentamento voltadas para o ambiente ocupacional, tornando visíveis as medidas organizacionais que podem prevenir a queda na produtividade e o resgate da qualidade de vida destes trabalhadores.  

Palavras-chave: Tecnologia da Informação, Estresse, Saúde, Trabalho.

ABSTRACT
This article aims, crossing the market demands with the actual condition of workers in IT (Information Technology), identifying the source of the overload training, the reasons that lead workers to a progressive stress and consequences this type of suffering at work. Recognition of stress agents will allow the development of coping strategies aimed at the workplace by making the organizational measures that can prevent the fall in productivity and the recovery of quality of life for these workers.

Key-words: Information Technology, Stress, Health, Work.

INTRODUÇÃO

            Tenório (2007 apud CASTELLS, 2000, p. 49) conceitua Tecnologia da Informação (T.I.), como sendo um “conjunto convergente de tecnologias em microeletrônica, computação (software e hardware), telecomunicações/radiodifusão e optoeletrônica” que formam um aparato integrado que suporta a veiculação e o manuseio de informações. Tenório (apud LAUNDON 1999, p. 17-37) explica que, um sistema de informação “é um conjunto de componentes inter-relacionados, desenvolvidos para coletar, processar, armazenar e distribuir informação para facilitar a coordenação, o controle, a análise, a visualização e o processo decisório”.

             Ferreira (2006 apud WIENER, 1968, p. 19) diz que a informação na sociedade surge como um rolo compressor, necessário e indispensável à sociedade pós-moderna. Para Wiener, a informação, ou melhor, a T.I está diretamente ligada ao desenvolvimento do computador, e assim sendo, uma nova forma de disseminação da informação e potencialização dos conceitos; “Viver efetivamente é viver com informação adequada. A comunicação e o controle, portanto, são integrantes da essência da vida interior do homem, na mesma medida em que fazem parte de sua vida em sociedade”.

            Considerando a importância dos sistemas de informação no século atual, pode-se observar que as estruturas organizacionais têm se modernizado em virtude da globalização e do avanço tecnológico, ocasionando por sua vez, uma mudança de grande relevância na maneira como as pessoas estão acostumadas a desempenhar suas atividades, necessitando assim, uma visão cada vez mais abrangente e complexa dos processos/postos de trabalho e consecutivamente da cultura empresarial como um todo.

            Dias (2008 apud ROBBINS, 1998, p. 345) já afirmava que essa situação de mudança, efeito de pressões das empresas e da própria condição social, põe em evidência que o planejamento da carreira "foi do paternalismo - no qual a organização assumia a responsabilidade de gerenciar as carreiras de seus empregados - ao apoio de indivíduos à medida que eles assumem responsabilidade pessoal por seu futuro".

            Portanto, a concretização dos atuais objetivos organizacionais das empresas de T.I, é sustentada por dois sólidos alicerces: a alta produtividade versus o curto espaço de tempo e busca pelo pioneirismo tecnológico. Ambas as situações tem impacto direto na forma como os profissionais encaram a inovação tecnológica. De acordo com Munk (2000), dois efeitos podem ser prioritariamente observados: 

            • Technostress – inabilidade de acompanhar as mudanças, causadas pelo computador, de modo saudável;
            • Cyberphobia – medo de computadores e coisas relacionadas a eles.
Cerca de 97% dos profissionais de TI sofrem de estresse no ambiente de trabalho. Essa informação é um dos resultados de pesquisa conduzida pela consultoria de Recursos Humanos SWNS, que ouviu três mil profissionais ao redor do mundo e chegou à conclusão de que os executivos de tecnologia são mais estressados do que médicos, engenheiros, professores e administradores financeiros. Segundo o estudo, quatro entre cinco dos profissionais de TI são afetados pelo estresse, antes mesmo de chegar ao escritório. O comportamento é um mecanismo biológico de proteção, que age como uma forma de antecipação a todas as pressões que serão sofridas ao longo do dia (AFONSO, 2009). 

                Logo, é fácil entender como o setor de tecnologia da informação tem revelado um cotidiano exaustivo e estressante, onde profissionais se vêem constantemente obrigados a desempenhar suas atividades no limite máximo de sua capacidade física e emocional, sacrificando horas de descanso e lazer para executar tarefas de média e alta complexidade e também para manter-se atualizado em relação às novidades do mercado, sejam em artefatos tecnológicos, novas linguagens de programação ou tendências comportamentais.
As pessoas sabem que o sucesso na carreira no século XXI requer a habilidade de lidar bem com a mudança constante e com o inevitável estresse resultante. No meio de chamadas para aumentar a produtividade, da reengenharia e do comprometimento com a qualidade total, pede-se aos trabalhadores de todos os níveis da organização para que mantenham o alto nível de desempenho mesmo que estejam experimentando e se adaptando a novas circunstâncias. (JR.; HUNT; OSBORN, 1998).

O ESTRESSE: DA CAPACIDADE DE CONCEBER À CAPACIDADE DE SOLUCIONAR

O ritmo acelerado em que ocorrem as mudanças, aliado à ausência de perspectiva quanto a uma situação de equilíbrio, leva os indivíduos a um processo contínuo de adaptação, causando sentimentos de apreensão e ansiedade crônicos. Dentre essas mudanças ressaltam: a mudança da vida rural para a urbana, a passagem do estacionário para o móvel; a passagem da autossuficiência para o consumo; a passagem do isolamento para a interligação e a passagem da atividade física para a sedentária (DIAS, 2008 apud ALBRECHT, 1998).

As manifestações físicas observadas no homem moderno frente ao estresse são fatores remanescentes do homem pré-histórico, que lutava por sua sobrevivência superando os obstáculos impostos pela natureza. "Quando enfrentamos um estresse repentino, vivenciamos alterações bastante drásticas em nossos sistemas orgânicos. Se o elemento estressante é mais indireto ou se distende por mais tempo (como uma frustração, irritação ou ansiedade interminável), os efeitos são mais lentos e insidiosos. As respostas ao estresse de forma repetida ou contínua oprimem o sistema imunológico e deixam-nos mais vulneráveis às infecções cotidianas, como resfriados e gripes. Então, acaba-se entrando em um ciclo de estresse, mau desempenho e mais estresse" (BAWA, 1997, p. 21-22).

     Entretanto, apesar dos fatores mencionados anteriormente, Carvalhal (2008) defende que a experiência do estresse é pessoal, pois nos afetam de maneiras diferentes e em momentos distintos durante a vida.  

Uma vez que cada indivíduo tem um desenvolvimento neuropsíquico e, em associação com uma individualizada vivência, ele forma, durante a sua história de vida, os seus próprios esquemas mentais em termos de conhecimentos, crenças e valores pessoais. Esses esquemas mentais são estruturas do seu sistema cognitivo, o qual engloba de forma indissociável os processos racionais e afetivo-emocionais, deste modo, servindo de referencial para o próprio processo de percepção (PACHECO et al, 2004).

           
Figura 1 Arquitetura percepção-atitude-comportamento.
Fonte: Pacheco Júnior et al. (2004).

            Por fim, considerando o fluxo acima, Pacheco (2004) sustenta que o estresse é a resposta do organismo a estímulos recorrentes que determinam um esforço ou aptidão superiores ao "normal" do processo mental de um ser humano.
Analisando o contexto profissional de um modo geral, o estresse no ambiente de trabalho geralmente provém:
·         De exigências muito altas ou demasiadamente baixas;
·         De problemas de relacionamento interpessoal;
·         Da evolução muito rápida ou lenta na carreira;
·         De conturbações na vida pessoal.
·         Da busca pela satisfação das necessidades individuais.
·         Da solicitação de tarefas que vão além da capacidade ou da função que um profissional foi contratado para desempenhar.

Carvalhal (2008) relatou em seu livro que algumas pesquisas realizadas na Grã-Bretanha revelaram que o estresse relacionado ao trabalho já representaram mais de um terço dos atendimentos na área de saúde, estimando que quarenta milhões de dias de trabalho por ano já foram desperdiçados no Reino Unido por conta deste quadro.

Figura 2 Fluxo Demonstrativo - Como o estresse pode provocar doenças a partir do ambiente de trabalho.
Fonte: Carvalhal (2004, p.64)

Servino (2010) torna inteligível em sua dissertação os principais fatores estressores que acometem os profissionais de T.I.  Foram coletados os seguintes resultados:

(1)  Exaustos profissionais de tecnologia da informação relataram maior intenção de abandonar o emprego do que os profissionais de T.I que não estavam exaustos;
(2)  Sobrecarga de trabalho, ambiguidade de papéis, e de equidade de recompensas percebidas contribuíram significativamente para o esgotamento dos profissionais de tecnologia da informação e;
(3)  Os profissionais de tecnologia da informação que se encontravam esgotados, identificavam a insuficiência de pessoal e recursos como a principal causa da sobrecarga de trabalho e de sua exaustão.
(4)  Os principais fatores geradores de estresse nos profissionais de desenvolvimento de software pesquisados eram resultantes do medo da obsolescência e das interações existentes dentro da equipe de desenvolvimento.
(5)  Necessidade de realizar mais com menos, o aumento do uso do computador e as expectativas irreais de usuários.
(6)  Maioria dos entrevistados demonstrou que sua vida social e familiar estava prejudicada devido à quantidade de trabalho que realizavam.
(7)  Quanto maior o nível hierárquico do profissional, maior o nível de estresse levantado.

 “Outros estudos relataram evidências de sobrecarga de trabalho nos profissionais de T.I e estresse relacionado a problemas de comunicação” (SERVINO apud GOLDSTEIN et al, 1984). As reclamações alteadas com foco na deficiência da comunicação interna relataram que os profissionais não são devidamente informados sobre os acontecimentos nos projetos em que estão envolvidos, no meio organizacional e tecnológico, nos processos, certificações, metas, desafios, contratações, entre outros. E quando seus superiores optam em disponibilizar tais informações, estas chegam de maneira incompleta, ocasionando insegurança e desconforto na execução da tarefa, induzindo estes profissionais ao erro e ao desgaste moral.
A capacidade de gerenciar equipes e ajudá-las a lidar com situações de pressão será um componente essencial para o sucesso em curto e médio prazo. O primeiro passo aconselha o consultor em recursos humanos Robert Wong – considerado um dos 200 headhunters (caçadores de talento) mais influentes do mundo pela revista inglesa The Economist –, é entender que o estresse, em si, pode ser uma forma de motivação da equipe. Contudo, os funcionários têm um limite de cobranças aceitáveis, que, quando excedido, leva à falta de produtividade e de motivação (AFONSO, 2010).
            O autor explica que, é primordial perceber as qualidades e limitações, traçar as diferenças que adornam e distinguem cada profissional para poder aloca-lo, treina-lo, atualiza-lo e capacita-lo corretamente antes de lhe incumbir uma nova responsabilidade. Reconhecer estes perfis torna mais simples, por exemplo, a missão de descobrir como e quando motivar o trabalhador, revertendo os efeitos negativos do estresse e da sobrecarga.
            Servino (2010) comenta que especialistas estão realizando inúmeros estudos para tornar clara e direta as técnicas de enfrentamento empregadas por pessoas que com êxito vencem o estresse.
         Coping é conceituado como um conjunto de esforços, cognitivos e comportamentais, utilizado pelos indivíduos com o objetivo de lidar com demandas específicas, internas ou externas, que surgem em situações de estresse e são avaliadas como sobrecarregando ou excedendo seus recursos pessoais. (SERVINO, 2010 apud LAZARUS e FOLKMAN, 1984).
             
            “A disponibilidade de recursos afeta a avaliação do evento estressor e direciona que estratégias de enfrentamento serão usadas pelo individuo” (SERVINO, 2010). O modelo apresentado pelo autor com referência à Folkman e Lazarus (1980) envolve quatro conceitos:

  • Coping é um processo ou uma interação que se dá entre o indivíduo e o ambiente;
·    Sua função é de administração da situação estressora, ao invés de controle ou domínio da mesma;
  • O processo de coping pressupõe a noção de avaliação, ou seja, como o fenômeno é percebido, interpretado e cognitivamente representado na mente do indivíduo;
·    O processo de coping constitui-se em uma mobilização de esforço, através da qual os indivíduos irão empreender esforços cognitivos e comportamentais para administrar (reduzir, minimizar ou tolerar) as demandas internas ou externas que surgem da sua interação com o ambiente.

Para Roberto Cardoso, chefe do setor de medicina comportamental do laboratório Femme e coordenador do projeto Viver Bem, “a qualidade de vida no trabalho pode ser alcançada mesmo com pressões e problemas típicos da área”. Para o médico, o domínio sobre o próprio bem-estar passa por uma atividade que ele denomina gerenciamento do estresse, que cobre quatro vetores básicos: saúde física, relações sociais, ambiente e psiquismo. Cardoso, que conduz projetos de qualidade de vida em empresas, aborda que uma das principais atitudes que o profissional deve tomar quando percebe que o estresse está tomando conta é encontrar uma alternativa de realizar uma atividade física regular. “O ideal é desenvolver alguma atividade prazerosa, mas qualquer coisa que o tire do sedentarismo já ajuda, como subir andares de escada, caminhar até o trabalho etc.” (AFONSO, 2010 apud ROBERTO CARDOSO).
             
CONCLUSÃO

Este artigo contempla algumas situações corriqueiras na rotina do profissional de tecnologia, que sem o devido gerenciamento, desestabilizam o ambiente corporativo, comprometem a saúde do trabalhador, enfraquecem o patamar categórico do trabalho confiado e por fim minimizam recursos, reduzem a produtividade e a motivação do indivíduo que, inicialmente, foi hostilizado pelo baixo investimento/preocupação com o seu bem estar e qualidade de vida.
Desta forma, o tema abordado abre espaço para novas técnicas, conceitos, processos, culturas e condutas organizacionais, pois enaltece a escala evolutiva comercial ao passo que permite a reflexão e contextualização de muitos problemas de ordem prática que estagnam empresas de todos os portes, em todas as partes do mundo. 

REFERÊNCIAS


AFONSO, Rodrigo. Aprenda a Reduzir o Estresse no Trabalho. CIO – Gestão, Estratégia e Negócios em T.I. para Líderes Corporativos, mai. 2009. Disponível em:. Acesso em: 13 maio. 2011.

AFONSO, Rodrigo. Como os gestores de TI podem reduzir estresse das equipes. Computer World – O Porta-voz do Mercado de T.I e Comunicação, set. 2010. Disponível em:

BAWA, Joanna. Computador e Saúde: Manual do Usuário; Problemas, Prevenção e Cura. Tradução: Eduardo Farias L. São Paulo: Sammus, 1997. Disponível em: < http://books.google.com/books?id=OafoRHzW6tEC&lpg=PA23&dq=estresse&hl=pt-BR&pg=PA2#v=onepage&q&f=false> . Acesso em: 19 mai. 2011.

CARVALHAL, Célia Regina. Como Lidar com o Estresse em Gerenciamento de Projetos: Pessoal e Profissional. Rio de Janeiro: Brasport, 2008. Disponível em: < http://books.google.com/books?id=6CZGYRlQ9oEC&lpg=PP1&dq=estresse&hl=pt-BR&pg=PA23#v=onepage&q&f=false> . Acesso em: 17 mai. 2011.

DIAS, Sheyla Mara Oliveira. Fatores de Pressão no Trabalho e Comprometimento com a Carreira: Um Estudo com Profissionais da Tecnologia da Informação (T.I.), 2008. Belo Horizonte - MG. Disponível em:
< http://www.face.fumec.br/cursos/mestrado/dissertacoes/completa/sheila_mara.pdf>
Acesso em: 17 maio. 2011.

FERREIRA, Ana Paula Cavalcanti. Tecnologia de Informação, Controle e Mundo do Trabalho: Pensar Tecnologia na Ótica do Trabalhador, 2006. Revista Eletrônica de Ciências Sociais, 11, 14-24. Disponível em: .  Acesso em: 17 mai. 2011.

INTRODUÇÃO À AUTOMAÇÃO E CONTROLO. Disponível em:
. Acesso em: 17 mai. 2011.

JR., John R. Schermerhorn; HUNT, James G.; OSBORN, Richard N. Fundamentos de Comportamento Organizacional. Porto Alegre: Bookman, 1998. Disponível em: . Acesso em: 17 mai. 2011.

MUNK, Luciano. Mitos e Realidades do Efeito da Tecnologia na Qualidade de Vida no Trabalho: Uma Abordagem Sócio-Técnica. Serviço Social em Revista. Londrina, v. 2, n. 2, Jan/Jun. 2000. Disponível em: . Acesso em: 16 mai. 2011.

PACHECO; Waldemar et al. A Era da Tecnologia da Informação e Comunicação e a Saúde do Trabalhador.  Disponível em: < http://www.aa.med.br/upload/biblioteca/TI.pdf>. Acesso em: 19 mai. 2011.

SERVINO, Sandro. Fatores Estressores em Profissionais da Tecnologia da Informação e suas Estratégias de Enfrentamento. Brasília, 2010.  Disponível em: . Acesso em: 20 mai. 2011.

TENÓRIO, Fernando Guilherme. Tecnologia da Informação Transformando Organizações e o Trabalho, 2007. Rio de Janeiro: Editora FGV. Disponível em: . Acesso em: 16 mai. 2011.









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